REPOSIÇÃO AO ERÁRIO. VALORES RECEBIDOS INDEVIDAMENTE PELO SERVIDOR POR INTERPRETAÇÃO ERRÔNEA DE LEI. RECURSO REPETITIVO (ART. 543-C DO CPC E RES. N. 8/2008-STJ)
Não é possível exigir a devolução ao erário dos valores recebidos de boa-fé pelo servidor público, quando pagos indevidamente pela Administração Pública, em função de interpretação equivocada de lei.
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O art. 46, caput , da Lei n. 8.112/1990 deve ser interpretado com alguns temperamentos, mormente em decorrência de princípios gerais do direito, como a boa-fé. Com base nisso, quando a Administração Pública interpreta erroneamente uma lei, resultando em pagamento indevido ao servidor, cria-se uma falsa expectativa de que os valores recebidos são legais e definitivos, impedindo, assim, que ocorra a restituição, ante a boa-fé do servidor público. Precedentes citados do STF: MS 25641, DJe 22/2/2008 ; do STJ: EDcl no RMS 32.706-SP , DJe 9/11/2011; AgRg no Ag 1.397.671-RS , DJe 15/8/2011; AgRg no REsp 1.266.592-RS , DJe 13/9/2011; REsp 1.190.740-MG , DJe 12/8/2010; AgRg no Ag 1.030.125-MA , DJe 1º/9/2008; AgRg nos EDcl no Ag 785.552-RS , DJ 5/2/2007; MS 10.740-DF , DJ 12/3/2007, e EDcl no RMS 12.393-PR , DJ 6/6/2005. REsp 1.244.182-PB , Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 10/10/2012.
- REsp 1.244.182-PB · Rel. Benedito Gonçalves · julgado em 10/10/2012 · ver a decisão na base