Abrindo a decisão
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STF · Acórdão
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. LEI N. 3.885, DE 20/4/2010, DE MATO GROSSO DO SUL. DIREITO À INFORMAÇÃO DO CONSUMIDOR. OPERADORAS DE PLANO OU SEGURO DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA DE COMPROVANTE ESCRITO EM CASO DE NEGATIVA, TOTAL OU PARCIAL, DE COBERTURA DE PROCEDIMENTO MÉDICO, CIRÚRGICO OU DE DIAGNÓSTICO, BEM COMO DE TRATAMENTO E INTERNAÇÃO. COMPETÊNCIA LEGISLATIVA CONCORRENTE. NORMA ESTADUAL SUPLEMENTAR. ART. 24, INC. V E § 2º, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. OBRIGAÇÃO EXTRACONTRATUAL. DEFESA DO CONSUMIDOR. AUSÊNCIA DE CONTRARIEDADE AOS ARTS. 5º, INC. XXXVI, 22, INCS. I E VII, E 170 DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. AÇÃO JULGADA IMPROCEDENTE. 1. A abertura do setor de assistência à saúde à iniciativa privada não obsta a regulação dessa atividade pelo Estado, indispensável para resguardar outros direitos garantidos pela Constituição, em especial a dignidade da pessoa humana, a defesa do consumidor e os direitos à saúde, à integridade física e à vida. 2. Nos termos do art. 24, inc. V e § 2º, da Constituição da República, os Estados e o Distrito Federal dispõem de competência legislativa suplementar para editar normas de defesa do consumidor. 3. A Lei n. 3.885/2010, de Mato Grosso do Sul, é ato normativo instrumentalizador do consumidor com meios necessários para sua defesa, além de densificar o direito à informação, prefacialmente posto no inc. XIV do art. 5º da Constituição da República e seguido pelo Código de Defesa do Consumidor (arts. 4º, inc. IV, 6º, inc. III, e 55, § 4º, da Lei n. 8.078/1990). 4. Mais se revela pertinente a norma de proteção do consumidor quanto maior for a hipossuficiência ou déficit de informação daquele que, transitória ou permanentemente debilitado, esteja em estado de especial vulnerabilidade em face do fornecedor do serviço. 5. O princípio da livre iniciativa não pode ser invocado para afastar regras de regulamentação do mercado e de defesa do consumidor. 6. Ação direta de inconstitucionalidade julgada improcedente.
Por essas razões, rejeito a preliminar de ilegitimidade ativa. Rejeito a preliminar. 2. Inconstitucionalidade formal da Lei estadual nº 3.885/2010 – Planos privados de assistência à saúde – Direito do Consumidor – Competência concorrente do Estado do Mato Grosso do Sul A UNIDAS defende a inconstitucionalidade formal da Lei estadual nº 3.885/2010 do Estado do Mato Grosso do Sul, que dispõe sobre a obrigatoriedade do fornecimento ao consumidor de informações e documentos relativos à negativa de cobertura de serviços pelas operadoras de plano ou seguro privado de assistência à saúde. Aponta violação do art. 22, I e VII, da Constituição Federal, por versar sobre direito civil e política de seguros, matéria reservada à competência legislativa privativa da União. Também no julgamento Ação Direta de Inconstitucionalidade, nº 4701/PE, esta Suprema Corte já decidiu no sentido de que a amplitude da competência legislativa concorrente em matéria de defesa do consumidor, 3 Voto - MIN. ROSA WEBER ADI 4512 / MS nos termos do art. 24, V e VIII, da Constituição da República, não abrange a regulação pelos Estados-membros sobre o conteúdo dos planos de assistência privada, atribuição inserida na competência da União Federal pra legislar sobre direito civil bem como sobre contratos de seguro: Ementa:
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